30ª edição ininterrupta dos Festivais Gil Vicente lança olhar sobre a criação nacional   23 de Maio de 2017 / 10:21
Teatro Praga, João Sousa Cardoso, Jacinto Lucas Pires e Teatro Oficina são apenas alguns dos nomes que dão corpo à edição de 2017 dos Festivais Gil Vicente, que decorre de 01 a 11 de junho, em Guimarães. Num ano em que o programa lança um olhar profundo sobre a criação feita em território nacional, e no qual se encontram 3 estreias, os Festivais Gil Vicente apresentam um cartaz que procura privilegiar a proximidade entre o público e os artistas, para além de propor palcos pouco convencionais. Esta edição reserva, ainda, um programa de atividades paralelas que gira em torno de um projeto lançado pelo Teatro Oficina, na tentativa de mapear profissionais das artes performativas nascidos ou criados em Guimarães. Será o 1º encontro do Gangue de Guimarães.

Este ano, os Festivais Gil Vicente – principal festival de teatro da cidade de Guimarães – propõem uma nova lógica de relação com o que está à sua volta, ao pretender detetar e valorizar o aparecimento do talento territorial existente. As linhas identitárias mantêm-se enquanto base matricial – novas dramaturgias e releituras de textos essenciais – mas, a partir desta edição, ambiciona-se também tornar os Festivais Gil Vicente num corpo de trabalho regular e gerador de novas ideias. A partir de uma ideia recém-nascida no seio do Teatro Oficina – o Gangue de Guimarães – é lançada uma residência artística assente em dois vetores: formação dramatúrgica e identificação do potencial criativo dos elementos do grupo entretanto constituído.

Os Festivais Gil Vicente têm início marcado para o dia 01 de junho, às 21h30, com a estreia absoluta de “Geocide”. A peça de Cátia Pinheiro e José Nunes, da Estrutura, que conta com a colaboração dramatúrgica de Rogério Nuno Costa, sobe ao palco do Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF) para abordar os temas da mobilidade demográfica, das narrativas distópicas, das visões de futuro apocalípticas, da biopolítica e, consequentemente, da geopolítica. No palco, três seres habitam um espaço e a ação não está naquilo que eles transportam, mas no dispositivo que pisam. Imagina-se um tempo (“futuro”?) onde a memória terá sido apagada a favor de uma noção de humanidade reduzida à (sua) eterna contemplação.

No dia seguinte (02 de junho), às 21h30, é a vez do Grande Auditório do CCVF receber a mais recente criação do Teatro Praga, “Despertar da primavera, uma tragédia de juventude”, uma peça escrita em 1891 por Frank Wedekind sobre um grupo de adolescentes em conflito com uma sociedade conservadora e moralista. O Teatro Praga regressa, assim, a um clássico da literatura dramática para inscrever, num texto e teatro canónico, o lugar dos que não estão incluídos no sistema representativo. Em palco, num cenário que se faz de cor-de-rosa, a crueldade e o amor entre pares, a intolerância geracional e o suicídio são alguns dos motivos queridos pela tradição interpretativa deste texto.

No ano em que comemoram os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, também a sua obra estará presente nos Festivais Gil Vicente com “Os Pescadores”, de João Sousa Cardoso, que sobe ao palco do Pequeno Auditório do CCVF no dia 03 de junho. “Os Pescadores” é um trabalho metateatral que reflete sobre as narrativas complexas e os códigos da representação, explorando as noções de masculinidade e de género, de trabalho e de sacrifício, de eros e de economia da morte. Se o mundo é governado pelos senhores e pela palavra, que drama é o dos homens intermitentes que circulam entre o mundo dos vivos e o terror da phisys, organizados num espaço incerto, num tempo flutuante e num imaginário que oscila entre as convenções da tradição e os impulsos da sobrevivência?

Os Festivais Gil Vicente prosseguem para a segunda semana com mais uma ronda de três espetáculos, momento em que abandonam o Centro Cultural Vila Flor para invadir outros espaços da cidade de Guimarães. No dia 08, às 21h30, o ponto de encontro está marcado na Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade que recebe “Henrique IV parte 3”, uma peça do dramaturgo Jacinto Lucas Pires que aqui se estreia também como encenador. “Henrique IV parte 3” aborda as angústias que atormentam uma geração. É preciso pagar contas, é preciso adiar sonhos para quando se tiver “alguma estabilidade” que tarda em chegar. Jacinto Lucas Pires pega num tradutor, Henrique, como um príncipe precário, que vive consumido pelas exigências da vida quotidiana, até que lhe surge Falstaff, o gordo genial de Shakespeare. Falstaff é aqui metáfora para a urgência de se reaprender a viver, num tempo de carreiras-sucesso-poder.

No dia 09, às 21h30, os Festivais Gil Vicente recebem a estreia de “Ela Diz”, do Teatro da Garagem, uma performance multimédia que narra o conflito entre mãe e filha. As personagens, num face a face desafiante, dizem uma à outra o que nunca disseram e o que precisam dizer. Assiste-se a um desabafo urgente e torrencial, matizado por diferentes estados de alma, cujo desenlace é o esgotamento, a pacificação abrupta. O dispositivo cénico é composto por duas atrizes em frente, cada uma, a uma câmara de filmar. Numa relação de extrema proximidade, o público tem diante de si um ecrã, onde surgem os rostos em grande plano das atrizes. “Ela Diz” vai ser apresentada na Black Box do Espaço Oficina, local propício para acolher esta criação intimista.

A encerrar a edição de 2017 dos Festivais Gil Vicente, também a companhia vimaranense Teatro Oficina estreia a sua mais recente criação. Nos dias 10 e 11 de junho, sempre às 22h00, o pátio da Casa da Memória de Guimarães serve de palco para a apresentação de “Álbum de Família”. O impressionante espólio de fotografias d’ A Muralha - Associação de Guimarães para a Defesa do Património serve de inspiração a uma criação em duas partes, interpretada pelos alunos das Oficinas do Teatro Oficina. A história da representação das famílias de Guimarães, a sua iconografia tornada performance de teatro e dança encontra o espaço ideal para ser apresentada: o pátio da Casa de Memória (o melhor lugar metáfora deste trabalho).

Este ano, também as atividades paralelas dos Festivais Gil Vicente têm um forte cunho do Teatro Oficina. A companhia convocou o talento territorial existente para formar o Gangue de Guimarães que terá o seu 1º encontro numa residência artística que englobará, também, uma oficina de dramaturgia orientada por José Maria Vieira Mendes, debates de ideias e ensaios abertos. O Gangue de Guimarães surge como uma tentativa de cartografar os artistas de artes performativas – intérpretes, criativos(as) criadores(as) e/ou dramaturgos(as) – de Guimarães espalhados pela cidade, pelo país e pelo mundo. Responderam à primeira chamada 49 profissionais das artes performativas, mais ou menos experientes, mais ou menos emergentes, que nasceram ou foram criados na cidade. A partir deste mapa de artistas, o Teatro Oficina e os Festivais Gil Vicente montam um 1º encontro/residência em que se revela o que é este Gangue e os projetos em que estará envolvido – formação, criação, futuro.

Os bilhetes para os espetáculos já se encontram à venda, podendo ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas Lojas Fnac, El Corte Inglés, Worten, entidades aderentes da Bilheteira Online, e via online em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt.

Por apenas 25,00 euros é possível adquirir uma assinatura que permite o acesso a todos os espetáculos do festival. Através do desconto especial para Escolas de Artes Performativas (que pretende tornar mais acessíveis os espetáculos de dança e de teatro para o público que está em formação especializada), os alunos e professores que pretendam assistir aos espetáculos dos Festivais Gil Vicente poderão aceder a bilhetes no valor de 4,00 euros.

Redacção

Outras notícias da categoria nacional:

. Fantasporto exibe 11 filmes de alunos da UMinho 22 de Fevereiro de 2018 / 09:03
. Sentença de Sócrates é conhecida a 23 e 24 de Fevereiro em Guimarães pela mão de Mickaël de Oliveira 19 de Fevereiro de 2018 / 09:45
. Software de spin-off da UMinho gere acervo de Siza Vieira 15 de Fevereiro de 2018 / 11:49
. UMinho é a mais ativa da Europa em desporto universitário 14 de Fevereiro de 2018 / 08:31
. UMinho propõe terapia capaz de controlar cancro do colo do útero 14 de Fevereiro de 2018 / 08:26
. Portugueses reescrevem a história genética da Índia 12 de Fevereiro de 2018 / 11:49
. João Pedro Vaz será o novo Diretor Artístico da “A Oficina” 12 de Fevereiro de 2018 / 11:47
. Competências transversais são as mais valorizadas no mercado de trabalho 9 de Fevereiro de 2018 / 08:56
. Centro de Computação Gráfica está a definir os padrões da condução do futuro 9 de Fevereiro de 2018 / 08:54
. UMinho quer alavancar bioeconomia do país 7 de Fevereiro de 2018 / 08:44
. Estudo pioneiro sobre tablets junta universidades do Minho e Harvard e a Microsoft 7 de Fevereiro de 2018 / 08:43
. BabeliUM da UMinho promove cursos para dez línguas estrangeiras 25 de Janeiro de 2018 / 10:58
. UMinho estreia em Portugal exames de Chinês para os mais novos 23 de Janeiro de 2018 / 08:43
. Aluno do MIT Portugal da UMinho premiado por manga que vai ajudar doentes com cancro da mama 23 de Janeiro de 2018 / 08:41
. Já há lençóis que reduzem o risco de asfixia dos bebés 19 de Janeiro de 2018 / 08:32
. Lentes de contacto inovadoras travam a miopia das crianças 17 de Janeiro de 2018 / 13:25
. Luis Miguel Cintra (está de regresso e) estreia “Um D. João Português” em Guimarães 12 de Janeiro de 2018 / 08:52
. Universidade do Minho sedia vinte sociedades científicas 5 de Janeiro de 2018 / 08:50
. UMinho está entre as 50 universidades mais sustentáveis do mundo 28 de Dezembro de 2017 / 09:41
. Luis Miguel Cintra em Residência Artística em Guimarães 22 de Dezembro de 2017 / 11:25
. Rui L. Reis recebe um dos maiores prémios internacionais de Engenharia 22 de Dezembro de 2017 / 11:23
. Orquestra e Coro de Alunos da UMinho em concerto de Natal na Reitoria 14 de Dezembro de 2017 / 09:02
. Nuno Peres é o cientista português com mais impacto mundial 14 de Dezembro de 2017 / 09:00
. Campanha de Recolha de Brinquedos na UMinho e adaptação de brinquedos para crianças especiais 12 de Dezembro de 2017 / 09:01
. UMinho cria porta que bloqueia fogo, micróbios e ruído 28 de Novembro de 2017 / 10:08
. Alunos da UMinho premiados no “Bright Challenge” 27 de Novembro de 2017 / 08:39
. Licenciados ganham mais e têm melhor qualidade de vida 27 de Novembro de 2017 / 08:38
. Guimarães Jazz continua a fazer história 17 de Novembro de 2017 / 08:30
. UMinho atribui Cátedra Lloyd Braga a Hans-Jörg Albrecht 15 de Novembro de 2017 / 08:25
. Centro de Computação Gráfica celebra Dia Mundial da Usabilidade 10 de Novembro de 2017 / 08:44



« Voltar
 
 
 
O Amarense
PUB
O Amarense (c) 2017 | Todos os Direitos Reservados